domingo, 16 de novembro de 2014

Poema de Nós

Postado por Luc! às 23:22 0 comentários
Então, deixe-me manso
Porque nesse remanso 
Eu me esvaio todo
E me acho como louco
Nesse mundo tão nós

Perco o chão
Crio asas
Sonho acordado 
Me deleito em seu abraço
Te quero inteiro

O peito acelera 
Minha respiração dilacera 
Desejo conjunto
Tomar-te profundo
Como meu

Numa manhã de sol 
Brisa que sente nossa pele
Toque que enxerga além de nós
Beijo que mostra a imensidão 

Nós dois, um verão
Eu só, sofro inverno
Teus beijos, primavera
Teus sonhos, despido outono

Louco por louco, sou todo
Desenfreado desejo
Súbito silêncio
Corpos se misturam 
Seu cheiro no meu
Seu beijo, é meu
Enfim, nós. 

Luciana Carvalho

domingo, 2 de novembro de 2014

Doce silêncio

Postado por Luc! às 23:11 0 comentários


Há tanto a ser dito no silêncio instaurado. Tanto. 
Há um emaranhado de sensações lutando por espaço. 
Uma dor. Uma lembrança. Dias de tormenta e desesperança. 
Um sorriso. Um momento. Raridade que vivemos constantemente. 

Sentir a dor, sentir a perda, nos faz perceber o quão vulneráveis somos nessa vida. Nos faz valorizar gestos, palavras, momentos, oportunidades. Nos faz temer o dia de amanhã e a agradecer o dia de ontem. 

O sofrimento é um passageiro que de tempos em tempos desembarca em nossa estação. Mas assim como ele vem, ele se vai. Não o esquecemos. Apenas aprendemos a lidar com ele. Apesar de toda vez que aparece, abre-se uma ferida maior do que a outra. 

Quando aprenderemos - de fato - a lidar com essa dor? Com a perda? 
A única certeza que temos nessa vida, negamos veemente sua veracidade. 

Engana-se aquele que pensa estar imune a dor da perda. Ou à ignorância acerca da dor. Todos nós sofremos. Alguns mais cedo que outros. Alguns mais vezes que outros. Mas todos sofremos. A questão é como lidaremos com esse sofrimento. Como reagiremos a ele. 

O dia parece não ter sentido. A vida fica sem propósito. Um filme em câmera lenta passa por sua cabeça e o final você já conhece mas não aceita. 
Você deseja incontrolavelmente ter o poder de mudar o destino das coisas. Ou da pessoa. Se arrepende por não ter falado uma última vez. Não ter dito tudo o que desejava. Percebe que uma parte de você é enterrada junto com seu ente amado. E acredita que jamais conseguirá voltar a ser feliz. O tempo passa, você se vê sorrindo novamente, e no início se sente culpada por estar vivendo, por estar sorrindo e aproveitando a vida. E então, percebe, que já não há mais "dor sofrida", mas sim, "dor saudosa". A lágrima que - agora - cai é reflexo de lembranças. A sensação é de acolhimento. Então a saudade surge como uma constante em sua vida. Saudade do dia em que foram ao playground. Saudade da Festa de Natal que passaram implicando um com o outro. Saudade das aulas de dança na praia. Saudades dos sorrisos fáceis, dos momentos inesquecíveis, dos dias intermináveis e da sensação de que eram imortais. Tola sensação que surge em todo momento bom. 

Há tanta vida nessa saudade. Tantos desejos não ditos. Tantos sonhos não vividos. Tantas promessas quebradas. Tantas canções suspiradas. Tantos amores imaginados. Tanta vida ansiada.  

E então o silêncio. Aquele que nos acompanha nos momentos de tristeza, de perda. Aquele que é tratado como uma proposição negativa do ser humano. Mas, que nos dá paz. Que nos permite enxergar além do que nossos olhos veem e nossa mente cria. 

O silêncio é privilégio daqueles que o entende. 
A morte é como a noite após um dia de inquietações.
E a vida... O inesperado. 


sábado, 1 de novembro de 2014

Princesa Adormecida - Resenha

Postado por Luc! às 19:16 0 comentários
Tenho lido muitos livros de autores nacionais. Por obra divina, eles tem conseguido o devido espaço no mercado editorial e nos agraciando com histórias sensacionais. E hoje vou falar de mais um livro "nacional". 

Princesa Adormecida foi escrito por Paula Pimenta - autora de Fazendo Meu Filme e Minha vida Fora de Série. 



O livro é uma releitura do conto de fadas "A Bela Adormecida", mas se passa nos dias atuais e a adaptação que Paula fez em relação ao conto infantil ficou bastante coerente, apesar de conter elementos inverossímeis, mas que foram necessários. Na história, a nossa Bela é vivida por Áurea, que acorda em um hospital e descobre que sua vida inteira foi uma farsa. 
Ao longo do livro, pensei que algumas mudanças poderiam ter tornado o livro mais interessante, como a melhor amiga de Áurea ser na verdade uma vilã. Além, da relação por mensagem de texto com um jovem misterioso - que ela nunca viu - e que deu um toque mais moderno, mas também não senti muita firmeza em como a história em relação aos dois foi "costurada". 
O fato de não ter ficado enrolando muito foi sem dúvidas uma coisa que gostei. Não gosto muito quando o autor fica descrevendo uma cena, um objeto, um personagem, a vida inteira. Me cansa demais. Prefiro autores que conseguem um meio termo, e a Paula - definitivamente - consegue!

Em menos de 24 horas eu havia terminado o livro. A Paula escreve com uma facilidade, que transmite ao leitor essa ideia objetiva. E aí, quando você percebe, já terminou o livro. Uma crítica que tenho é para a sinopse do livro. 

"Meu cotidiano era normal. Tá, quase normal. Vivia com meus (superprotetores) tios, era boa aluna, tinha grandes amigas. Até que de uma hora pra outra, tudo mudou. Imagina acordar um dia e descobrir que o mundo que você achava que era real, nada mais é do que um sonho. E se todas as pessoas que você conheceu na vida simplesmente fossem uma invenção e, ao despertar, percebesse que não sabe onde mora, que nunca viu quem está do seu lado, e, especialmente, que não tem a menor ideia de onde foi parar o amor da sua vida?"
A sinopse dá uma ideia errada da história. Parece que de fato a personagem principal dormiu a vida inteira e sonhou com tudo o que lemos. E na verdade, não é isso. Foi só uma maneira equivocada de se colocar os fatos, mas que causam - talvez - frustração (?)! 

Uma curiosidade é que uma das personagens já havia aparecido em outro livro. A DJ Cinderela foi personagem principal do conto escrito para o Livro das Princesas.

E para finalizar, Áurea surge como uma menina cheia de talentos, sendo dois deles tocar piano e cantar. Ela fala muito de uma música ao longo do livro, e digamos que eu também ache essa música simplesmente linda. 



Beijinhos ;*
 

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