Há um emaranhado de sensações lutando por espaço.
Uma dor. Uma lembrança. Dias de tormenta e desesperança.
Um sorriso. Um momento. Raridade que vivemos constantemente.
Sentir a dor, sentir a perda, nos faz perceber o quão vulneráveis somos nessa vida. Nos faz valorizar gestos, palavras, momentos, oportunidades. Nos faz temer o dia de amanhã e a agradecer o dia de ontem.
O sofrimento é um passageiro que de tempos em tempos desembarca em nossa estação. Mas assim como ele vem, ele se vai. Não o esquecemos. Apenas aprendemos a lidar com ele. Apesar de toda vez que aparece, abre-se uma ferida maior do que a outra.
Quando aprenderemos - de fato - a lidar com essa dor? Com a perda?
A única certeza que temos nessa vida, negamos veemente sua veracidade.
Engana-se aquele que pensa estar imune a dor da perda. Ou à ignorância acerca da dor. Todos nós sofremos. Alguns mais cedo que outros. Alguns mais vezes que outros. Mas todos sofremos. A questão é como lidaremos com esse sofrimento. Como reagiremos a ele.
O dia parece não ter sentido. A vida fica sem propósito. Um filme em câmera lenta passa por sua cabeça e o final você já conhece mas não aceita.
Você deseja incontrolavelmente ter o poder de mudar o destino das coisas. Ou da pessoa. Se arrepende por não ter falado uma última vez. Não ter dito tudo o que desejava. Percebe que uma parte de você é enterrada junto com seu ente amado. E acredita que jamais conseguirá voltar a ser feliz. O tempo passa, você se vê sorrindo novamente, e no início se sente culpada por estar vivendo, por estar sorrindo e aproveitando a vida. E então, percebe, que já não há mais "dor sofrida", mas sim, "dor saudosa". A lágrima que - agora - cai é reflexo de lembranças. A sensação é de acolhimento. Então a saudade surge como uma constante em sua vida. Saudade do dia em que foram ao playground. Saudade da Festa de Natal que passaram implicando um com o outro. Saudade das aulas de dança na praia. Saudades dos sorrisos fáceis, dos momentos inesquecíveis, dos dias intermináveis e da sensação de que eram imortais. Tola sensação que surge em todo momento bom.
Há tanta vida nessa saudade. Tantos desejos não ditos. Tantos sonhos não vividos. Tantas promessas quebradas. Tantas canções suspiradas. Tantos amores imaginados. Tanta vida ansiada.
E então o silêncio. Aquele que nos acompanha nos momentos de tristeza, de perda. Aquele que é tratado como uma proposição negativa do ser humano. Mas, que nos dá paz. Que nos permite enxergar além do que nossos olhos veem e nossa mente cria.
O silêncio é privilégio daqueles que o entende.
A morte é como a noite após um dia de inquietações.
E a vida... O inesperado.

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