quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Um dia

Postado por Luc! às 11:38 0 comentários
Um dia, tudo que você conhece deixará de existir. 
E não estou falando de inovações tecnológicas que colocarão abaixo tecnologias atuais. Não estou falando do carro que voa ou da impressora 3D (que inacreditavelmente já existe).
Eu estou falando do dia que você não fizer mais parte daqui. Dessa vida. Desse plano. Quando as coisas forem diferentes pra você, porém, a mesma coisa pra quem ficou pra trás. 

Esse dia, será assustador. Para os outros. Por você que se foi eu não posso dizer. Mas, afirmo que antes de partir, o medo do desconhecido te tomava por inteiro. 
Entendia como uma ciência que a morte viria. Não acreditava que ela poderia bater a sua porta tão cedo. E vivia como se jamais fosse encontrá-la. 
E a vida? 
Ainda não sei, mas acho que ela tem um propósito. Há algo maior por trás desse mistério. Você não está aqui apenas para desfrutar das coisas boas. Carpe Diem nunca foi tão ilusório quanto uma mentira. Viver a vida e pensar apenas nos prazeres que ela poderá te proporcionar é ser mesquinho, degradante e envenena a alma. 
Há muito mais nesse mundo do que conseguimos captar. Há muita dor. Muito sofrimento. Desigualdade e ódio. E você, nasceu longe disso. Aliás, longe não. Nasceu perto, só não tão perto quanto Natan Gomes*. 
Então, como viver sem pensar no outro? Sem pensar em milhares de pessoas que não tem um teto? Não tem alimento, não tem acesso a educação e saúde? Como viver sem pensar nas guerras (sociais, religiosas, étnicas...)? 
O mundo está cada vez mais desigual, individualista, soberbo e insalubre. 
O entretenimento não é o vilão. Podemos sim nos divertir. Ler um bom livro. Assistir a um clássico do cinema ou ir ao show da banda do momento. 
O vilão, somos nós que esquecemos os limites. E pior, esquecemos quem somos, o que viemos fazer e quem está do nosso lado. 
A preocupação com banalidades é de tamanha ignorância. A supervalorização do material é uma infeliz realidade. 
E o propósito perde-se nos muitos significados que um dicionário pode descrever. Assim como a compaixão, a empatia e o amor. 
É... Não é só a água que está acabando nesse mundo. 
O amor está morrendo. 
Não esse amor romântico que vemos nas novelas, filmes ou experiências pessoais. 
Estamos falando do amor genuíno. Aquele que você tenta descrever, mas não consegue.  Aquele que não se define por um simples "eu te amo". Aquele que significa pensar no melhor para o outro e não para você. 
A realidade está cada vez mais deturpada, obscura e nebulosa. 
E ai, um dia tudo vai deixar de ser como era antes. Aliás, a cada dia que passa enxergarmos a diferença do passado não tão longínquo. As mudanças correm - desesperadas - contra o tempo. 
E a morte, é a única coisa que não conseguimos mudar. Mesmo assim, desdenhamos de sua magnitude, de seu mistério e de sua capacidade de transformar a realidade compartilhada. 
Para ela (morte), não se precisa de muitos insumos para gerar transformação. 
Basta estar vivo. 


*Natan Gomes vivia na comunidade de Antares quando foi assassinado próximo a sua casa. Ele tinha 12 anos. O autor do disparo, 17 anos. 

Luciana Carvalho

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Ritmo Brasileiro

Postado por Luc! às 23:09 0 comentários
O que é que a baiana tem? Hein?! Menina dos olhos d’água, cor de amor, que a sorrir pretendia levar a vida. E seguindo a estrada do sol, encontramos Yolanda. Menina das duas tranças, que nos anos dourados só dançava rock’n’roll...

Uma vez ouvi dizer que o Brasil era o país dos ritmos. Diversidade não só étnica, mas cultural e, por sua vez, musical. Brasil é o país do samba, do frevo, maracatu. É o país do baião, forró e xaxado. É o país da Beatriz, da Cecília e da Sílvia. É o país da garota de Ipanema, e de Madalena.

Com tanta música, tanta letra, tanta história, fico pensando como alguém deixa passar essas poesias inventadas e reinventadas. Como alguém não se perde nas águas de março? Ou na luz dos olhos teus? Eu me perco. Eu permito me perder. Por inteiro.

Tão gostoso quando numa tarde em Itapuã, fica impossível concordar com Cazuza. O tempo pode parar. E ele para... Até que, falando de amor, uma bela morena resolve pegar o trem azul com destino à cidade ideal. Ideal para aprender a linguagem do amor.

Ah! Os meus sonhos foram todos vendidos. E eu ainda estou tentando descobrir um tempo de te amar. Acho que esse tempo chega quando o mundo inteiro acordar e a gente dormir...

É como Tom dizia... “é impossível ser feliz sozinho”.

E por que escolher ficar sozinho quando há tantas mulheres para Chico te apresentar?

E seguindo esse ritmo, meio boêmio, meio tropical, encantamos e balançamos um povo abençoado por Deus. E enfeitamos os amantes do Brasil.

Tantos... Quantos... Amam, como sua terra.

Verde, amarela e musical.





 Luciana Carvalho
 

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